Laboratório de Pesquisa Social – LAPS


 

Coordenação: Angela Alonso

Vice- coordenação: Vera da Silva Telles

 

 

O LAPS é um laboratório de estímulo à pesquisa no âmbito do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo, que congrega professores, pós-doutorandos, pós-graduandos e alunos de graduação.

De um lado, socializa alunos, no âmbito da graduação em Ciências Sociais, em técnicas qualitativas e quantitativas de pesquisa social, por meio de mini-cursos, trabalhos de campo e projetos de pesquisa individuais e coletivos em sociologia. De outro lado, sedia conferências, recebe pesquisadores visitantes, estimula cooperações interinstitucionais e internacionais, bem como a publicação e divulgação de resultados de pesquisas.

 

Corpo docente vinculado ao LAPS

 

O Laboratório conta com  17 professores do Departamento de Sociologia, sendo 6 titulares, 4 livre docentes e 8 doutores:

 

Álvaro Augusto Comin

Doutor em Sociologia USP (2003)

Temas específicos: Sociologia do Trabalho, Sociologia do Desenvolvimento, Políticas Sociais, Mercado de Trabalho.

 

Ana Paula Hey

Doutora em Sociologia USP (2003)

Temas específicos: Sociologia da Educação, Sociologia da Cultura

 

Angela Maria Alonso

Livre-Docente em Sociologia USP (2012)

Temas específicos: Cultura e ação coletiva, Movimentos Sociais

 

Antônio Sérgio Alfredo Guimarães

Titular em Sociologia USP (2004)

Temas específicos: Estudos afro-brasileiros e relações raciais

 

Brasílio João Sallum Júnior

Titular em Sociologia USP (2004)

Temas específicos: Análise Sociológica de políticas econômicas, regimes e sistemas políticos. Sociedade capitalista e classes sociais. Estudos sobre sociedades latino-americanas.

 

Fernando Antônio Pinheiro Filho

Doutor em Sociologia USP (2003)

Temas específicos: Sociologia da Cultura, Sociologia da Arte, Teoria Social

 

Fraya Frehse

Doutora em Antropologia USP (2005)

Temas específicos: Urbanização; Cidade, Metrópole e Modernidade no Brasil; Vida Cotidiana e história; Cultura visual no Brasil

 

Gustavo Venturi

Doutor em Ciência Política USP (2001)

Temas específicos: grupos focais, eleições no Brasil, métodos e técnicas de pesquisa

 

Leonardo Gomes Mello e Silva

Doutor em Sociologia USP (1997)

Temas específicos: Processo de trabalho e práticas dos trabalhadores

 

Márcia Regina de Lima Silva

Doutora em Sociologia UFRJ (2001)

Temas específicos: desigualdades, mercado de trabalho, relações raciais, métodos e técnicas de pesquisa

 

Marcos César Alvarez

Doutor em Sociologia USP (1996)

Temas específicos: Violência, punição e controle social, políticas públicas de segurança, pensamento social

 

Nadya Araújo Guimarães

Titular em Sociologia USP (2009)

Temas específicos: Mercado de trabalho, trajetórias ocupacionais e identidades sócio-profissionais. Padrões de desigualdade e mecanismos de discriminação (de gênero e étnico-racias no trabalho). Experiência subjetiva do trabalho e do desemprego.

 

Paulo Roberto Arruda de Menezes

Livre-Docente em Sociologia USP (2009)

Temas específicos: Sociologia da Arte e do Cinema

 

Ruy Gomes Braga Neto

Livre-Docente em Sociologia USP (2012)

Temas específicos: Sociologia do Trabalho, Teoria Crítica

 

Sérgio França Adorno de Abreu

Titular em Sociologia USP (2004)

Temas específicos: Violência, direitos humanos e instituições de justiça

 

Sergio Miceli Pessôa de Barros

Titular em Sociologia USP (2002)

Temas específicos: Os intelectuais da arte, da cultura e das Ciências Sociais

 

Vera da Silva Telles

Livre-Docente em Sociologia USP (2009)

Temas específicos: Sociologia da cultura, Cidade e cidadania, formas de vida e de participação, Processos de trabalho e prática dos trabalhadores

 

Mini-cursos Estratégias Investigação Sociológica

Trata-se de atividades de curta duração, na qual se alternam os 17 professores membro do laboratório, pós-doutorandos e pesquisadores convidados, como instrutores de mini-cursos de iniciação à pesquisa em sociologia.

Os cursos funcionam como uma oficina, apresentando técnicas, metodologias e estratégias de investigação sociológica, de natureza qualitativa e quantitativa, por meio de casos concretos já estudados. Isto é, trata-se de apresentar aos alunos de graduação e pós-graduação o processo de pesquisa, as vantagens relativas de certas técnicas, as dificuldades e ganhos da investigação empírica, não apenas por meio de aulas, mas de exercícios práticos, nos quais os alunos serão instados a iniciarem suas próprias pesquisas de campo.

 

Mini-cursos programados para 2013 (em breve)

 

 

 

Projetos de pesquisa vinculados ao LAPS    

 

            O Laboratório congrega 13 pesquisas em andamento, que contam com financiamento de 9 agências de fomento (Pró-Reitoria de Pesquisa; Fapesp-Cepid; Fapesp-auxílio à pesquisa; Cnpq-Inct; Cnpq-produtividade em pesquisa; Ministério da Justiça; Capes; Programme Capes-Cofecub; Fundação Ford) e que envolvem, além dos docentes, 47 alunos de pós-graduação e 33 alunos de graduação:

 

1.Consórcio de Informações Sociais – CIS

Coordenadores: Brasilio Sallum Jr. e Gustavo Venturi

Financiador: CNPq / Pró-Reitoria de Pesquisa

Vigência: 2011-2013

Número de alunos de pós-graduação envolvidos: 2

Número de alunos de graduação envolvidos: 6

Resumo: O projeto, que existe desde 2004, resulta de um convênio entre o departamento de Sociologia e a ANPOCS (Associação de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciências Sociais). Contou inicialmente com o apoio da Fundação Ford, depois da FAPESP e hoje do CNPq. Ele consiste num sistema cooperativo que coleta bases de dados derivados de pesquisas sobre os mais diferentes aspectos da sociedade brasileira, os edita e organiza adequadamente e dá acesso amplo e gratuito a elas por meio da internet a pesquisadores sediados no Brasil.  Este sistema pretende ser permanente. Hoje disponibiliza quase 350 bancos de dados do acervo e mais de 400 links que remetem aos endereços por meio dos quais diferentes instituições dão acesso a bancos de dados, todos eles indexados por assunto. Ademais, o Consórcio de Informações Sociais sistema dá livre acesso aos instrumentos de investigação (questionários, formulários, escalas etc.) e à literatura produzida com base nos bancos de dados do acervo; Em terceiro lugar, disponibiliza software livre para gerenciamento destes bancos de dados. Em quarto lugar, difunde o sistema de investigação básica que constrói por meio de mini-cursos ministrados nas instituições que os solicitam.  Por último, o CIS emite boletins mensais que divulgam os bancos de dados incluídos no acervo e disponibilizados para os pesquisadores. Os serviços prestados pelo CIS são oferecidos por meio do seu sitio na internet, cujos endereços são www.cis.org.br  ou www.nadd.prp.usp.br/cis .

 

2. Programa de Educação Tutorial (PET)

Coordenador: Gustavo Venturi

Financiador: Capes

Vigência: 2013-2015

Numero de alunos de pós-graduação envolvidos: 12

Resumo: O PET reúne alunos de graduação em investigações coletivas que articulam ensino, pesquisa e extensão, em torno, oferecendo formação acadêmica qualificada por meio de programa de atividades para além das realizadas pela grade curricular da graduação, visando facilitar o domínio dos processos e métodos gerais e específicos de investigação social.  Em 2013, o PET apoiará também a disciplina de Métodos I, com uma pesquisa de opinião pública na cidade de São Paulo, tendo em vista a introdução dos ingressantes no curso de Ciências Sociais a algumas práticas de pesquisa, investigando as eleições municipais de 2012. Os alunos da graduação serão responsáveis por aplicar questionários em 400 setores censitários, com amostra de  2400 entrevistas, envolvendo sorteio da amostra domiciliar da cidade de São Paulo, montagem dos materiais de campo (questionários, cartões, folhas de arrolamento e de instrução, grade de cotas), coordenação da coleta de dados (contato com equipes de trabalho em sala), crítica, codificação e checagem das entrevistas, coordenação da digitação e consistência do banco de dados.

O PET também desenvolverá 4 subprojetos de pesquisa: a) Marcadores sociais de diferença e Direitos Humano, que investigará a percepção da opinião pública brasileira sobre manifestações de discriminação interpessoais e institucionais, as quais têm agravado a vulnerabilidade de indivíduos pertencentes a grupos socialmente estigmatizados, acentuando a desigualdade de oportunidades e de horizontes de vida a que tendencialmente já estão mais sujeitos. B) impacto da criaçao da reserva Jureia-Itatins na identidade caiçara tradicional dos moradores; C) desigualdades de genero como limitantes da participaçao política das mulheres de S. Remo, vizinha à USP; D) traços transgeneros como determinantes da exclusao de espaços escolares; diferenças dos noticiários (mainstream x especializados) no tratamento de casos de violencia homofobica.

 

3. Núcleo de Estudos da Violência - NEV-USP (Projeto Interunidades em Violência, Democracia e Direitos)

Coordenador: Sergio Adorno

Financiador: Fapesp (projeto Cepid)/CPNq via INCT

Resumo: A missão do NEV-USP é realizar pesquisas direcionadas para responder algumas questões a respeito de qual qualidade de democracia e de governança pode se desenvolver em uma ambiente onde persistem graves violações de direitos humanos e onde há territórios dominados pelo crime organizado, corrupção sistêmica, elevadas taxas de homicídio, impunidade, acesso limitado a direitos civis e ausência de cultura de direitos humanos como suporte para o Estado de Direito. O programa de pesquisa está articulado com formação de recursos humanos, disseminação de resultados para públicos acadêmicos e não acadêmicos, organização de bancos eletrônicos de dados e de acervos documentais sobre violência, direitos humanos, segurança cidadã e democracia.

 

Projeto 1: Investigação Policial e Processo Judicial do Crime de Homicídio no Município de São Paulo

Coordenação: Sérgio Adorno e Wania Pasinato

Resumo: A pesquisa investigará qual o papel da impunidade no desenvolvimento da cultura dos direitos humanos e no apoio público ao Estado de direito democrático. Os objetivos deste projeto são avaliar 1) as condições de trabalho da polícia (recursos humanos e materiais) para investigar os casos de homicídio; 2) a carga de trabalho e suas rotinas; 3) a cultura organizacional (valores, percepções a respeito dos perpetradores e das vítimas, percepções sobre como as leis podem ser aplicadas, prioridades nas investigações, significado do homicídio, procedimentos para a investigação, critério de seleção dos casos a serem investigados, etc.). Este estudo consiste na análise contextualizada de casos de homicídio resgatados de arquivos judiciais, e produzirá dados que permitirão compreender por que a impunidade nos casos de homicídio é tão alta, e identificar que variáveis explicam a performance das forças policiais nas investigações de homicídios.

- O tempo da justiça: o seu impacto na produção de impunidade penal: o subprojeto analisará a relação entre o tempo decorrido entre as diferentes fases do inquérito policial e até o final do processo penal e o seu impacto sobre a impunidade penal.

 

Projeto 2:Violência e Fronteiras

Coordenação: Fernando Salla e Marcos César Alvarez

Financiador: Fapesp

Numero de alunos de pós-graduação envolvidos: 1

Resumo: Serão analisados dois estados criados mais recentemente no Brasil: o Acre (1962) e Rondônia (1981). Na fronteira extrema da região oeste da Amazônia, eles também são fronteiriços em termos de desenvolvimento econômico e suas histórias apresentam exemplos do que pode acontecer quando o desenvolvimento econômico precede qualquer tipo de controle social. Desrespeito ao Estado de Direito, combinado à presença majoritária de atividades econômicas informais e ilegais, reforçando a presença do crime organizado, em um contexto no qual os órgãos de implementação da lei não funcionam ou nem sequer tentam aplicar as leis, resultou em massivas violações aos direitos humanos. A análise fará uso de múltiplas fontes: documentos oficiais, relatórios parlamentares, documentos dos tribunais, cobertura da imprensa, banco de dados do Núcleo de Estudos da Violência, documentos de ONGs, entrevistas com testemunhas importantes e pesquisas com os habitantes.

           

Projeto 3:  Médicos, Bacharéis e Juristas: A Sociedade de Medicina Legal e Criminologia de São Paulo (1921-1945)

Coordenação: Marcos César Alvarez

Financiador: CNPq, bolsa de produtividade em pesquisa.

Vigência : 2011-2014

Numero de alunos de graduação envolvidos: 1

Resumo: aprofundar aspectos da trajetória da Criminologia no Brasil e dos segmentos das elites envolvidos com esse saber. Objetivos específicos: caracterizar a dinâmica da Sociedade de Medicina Legal e Criminologia de São Paulo, criada em 1921, identificando a trajetória de seus membros, bem como as redes que aí se estabeleceram entre indivíduos, grupos e instituições; prosseguir o mapeamento de outras associações e suas respectivas publicações no âmbito em estudo.

Projeto 4:  Construção das políticas de segurança pública e o sentido da punição (1822-2000)

Coordenação: Marcos César Alvarez

Financiador: CEPID/FAPESP

Numero de alunos de graduação envolvidos: 1

Resumo: O presente projeto procura resgatar a história das políticas de segurança pública no Estado de São Paulo. A pesquisa parte da constatação de que há sérios obstáculos políticos e institucionais, no ambiente da justiça criminal, para a implementação de políticas de segurança que incorporem os preceitos básicos dos direitos humanos e que tornem reais as garantias constitucionais. A premissa básica assinala a necessidade de conhecer a história da punição e da segurança, como forma de interferir na elaboração de políticas que não se restrinjam às medidas repressivas, reforçadas pela atual ampliação do sentimento de insegurança e do crescimento das taxas de crimes violentos. A definição de variáveis, a seleção de fontes históricas e o levantamento de dados serão realizados de forma a permitir comparações entre os diferentes períodos compreendidos pela pesquisa.

Projeto 5: Adolescentes em conflito com a lei: pastas e prontuários do Complexo do Tatuapé (São Paulo/SP, 1990-2006)

Financiador: CNPq (2009-2010)

Numero de alunos de graduação envolvidos: 1

Resumo: Em dezembro de 2006, foi criada a Fundação CASA (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente) que substituiu a Fundação Estadual do Bem Estar do Menor (FEBEM) como responsável pela execução das medidas socioeducativas no estado de São Paulo. O Complexo do Tatuapé , na cidade de São Paulo, foi um dos mais importantes locais para a execução daquelas medidas. Até abril de 2006, funcionaram ali 17 unidades de internação de adolescentes em conflito com a lei. O Complexo foi desativado. Encontra-se ali, ainda, com o Núcleo de Documentação do Adolescente (NDA), uma rica documentação que permite recuperar aspectos da história daquela instituição e das práticas de internação desde o estabelecimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em 1990. O presente projeto tem como objetivo principal reconstruir aspectos do funcionamento das instituições de controle social voltadas para jovens em conflito com a lei, utilizando-se como fonte principal a documentação composta por pastas e prontuários dos adolescentes que passaram pelas unidades no período de 1990 a 2006. São objetivos específicos, por um lado, estabelecer o perfil sócio-econômico dos adolescentes, bem como caracterizar as medidas sócioeducativas aplicadas por meio da análise quantitativa dos dados. Por outro lado, por meio da análise qualitativa, busca-se caracterizar trajetórias de adolescentes infratores bem como as diferentes lógicas institucionais em jogo: policial, judiciária, técnica etc. O projeto procura assim contribuir para um debate público mais qualificado e para o aperfeiçoamento das políticas públicas para nessa área. 

 

Projeto 6: O papel da vítima no processo penal

Financiador: Ministério da Justiça (2009-2010)

Numero de alunos de graduação envolvidos: 1

Resumo: A presente pesquisa, desenvolvida inicialmente no âmbito do Projeto Pensando o Direito da Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, dedica-se ao estudo do papel conferido à vítima no processo penal brasileiro a partir de duas experiências distintas da legislação recente, instauradas em um campo que tradicionalmente confere um tratamento que não contempla possibilidades de participação efetiva da vítima: os procedimentos restaurativos concernentes à lei 9.099/95 e os processos penais referentes à violência doméstica e familiar que tramitam pelo procedimento previsto pela lei 11.340/06. Essas duas iniciativas são consideradas inovadoras no que tange ao papel da vítima ao longo da persecução penal, pois delas advieram dispositivos vitimológicos até então inauditos no ordenamento processual penal brasileiro. A pesquisa buscou balizar e confrontar tais experiências legais com os dispositivos e as práticas pertinentes ao processo penal ordinário considerando-se todos os procedimentos previstos no Código de Processo Penal para a fase de conhecimento, tanto o rito propriamente ordinário, quanto o rito do Tribunal do Júri, excluídos os ritos especiais da legislação extraordinária no que toca aos direitos e ao papel atribuído à vítima. Para tanto, a pesquisa voltou-se também para o campo de aplicação do modelo processual ordinário, elegendo o estudo de caso como opção metodológica para acessá-lo. A investigação desenvolveu-se, então, nos contextos empíricos do Juizado Especial Criminal (JECRIM) e do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (JVD), tendo também por referência o processo penal ordinário.

 

 

4. Projeto de Pesquisa: Formação do campo intelectual e da indústria cultural no Brasil contemporâneo

Coordenador: Sergio Miceli

Pesquisador: Fernando Pinheiro Filho

Financiador: Fapesp (projeto temático)

Numero de alunos de pós-graduação envolvidos: 15

Resumo:Esta pesquisa pretende investigar as transformações decisivas por que passou a história social da cultura brasileira, embora o faça por meio de uma confluência temática original. Empreender uma história crítica da cultura brasileira desde o século XIX até o presente, e para tanto buscar as conexões entre surtos estratégicos de produção cultural erudita e a expansão de setores dinâmicos da indústria cultural: de um lado, a modelagem dos intelectuais no Império e a literatura dos viajantes, o romance social, os intelectuais comunistas, a dramaturgia, a vanguarda literária e artística em perspectiva comparada; de outro, as mudanças na imprensa, no setor editorial, e na mídia audiovisual. O alvo deste projeto é, pois, a inteligibilidade das condições que presidiram o processo de autonomização de um campo de produção cultural no país, com base na análise seletiva de experimentos chaves dessa história. Intelectuais e artistas infundindo rumos e linguagens nas mídias de cada conjuntura histórica e, reversivamente, as transformações da indústria cultural impondo feições e significados ao trabalho dos produtores culturais.  

A vida cultural será aqui examinada por referência ao universo de socialização dos produtores – escritores, artistas, profissionais especializados -, cujo desvendamento requer a compreensão de suas ligações com o espaço da classe dirigente. Outras dimensões cruciais da análise incluem as injunções institucionais das mídias contempladas, o recrutamento e as trajetórias dos agentes da cena cultural, os móveis de competição atuantes no mercado de bens culturais, as demandas dos públicos diversificados de consumidores. A história das mídias e dos gêneros examinados, as transformações por que passa a divisão do trabalho em cada universo de produção cultural, as mudanças na balança de poder no interior da hierarquia profissional, a constituição progressiva de uma tradição e de uma memória da atividade cultural, eis alguns dos processos reveladores dessa atribulada transição histórica entre, de um lado, modelos de atividade intelectual tributários dos embates internos aos grupos dirigentes, e de outro, padrões profissionalizados de desempenho cujas feições derivam da dinâmica das relações entre agentes posicionados em situação de concorrência no interior de um dado campo de prática cultural.

A finalidade deste projeto é lograr uma reconstituição compacta e expressiva dos processos sociais que modelaram a vida cultural brasileira, averiguados pelo prisma de recortes empíricos capazes de restituir as múltiplas determinações dessas experiências. O intuito consiste justamente em articular a cultura letrada à indústria cultural, o pólo erudito às mídias comerciais, ao revelar o quão indissociáveis são os liames entre projetos intelectuais ou artísticos e as condições estruturais de sua viabilização. O trânsito entre esses domínios de atividade deverá propiciar uma perspectiva original e inusitada da produção cultural brasileira.

 

5. Projeto de Pesquisa: Ilegalismos, jogos de poder e gestão (em disputa) da ordem

Coordenador: Vera da Silva Telles

Financiador: CNPq

Vigência: 2012-2015

Numero de alunos de pós-graduação envolvidos: 6

Resumo: Tomando como ponto de partida situações encontradas na cidade de São Paulo, esse projeto propõe pesquisar as relações redefinidas entre o informal, o ilegal e o ilícito, que acompanham as formas contemporâneas de produção e circulação de riquezas. Pessoas, bens, produtos e riquezas circulam nas tênues fronteiras do formal-informal, legal-ilegal, e o ilícito. No entanto, se há uma evidente transitividade entre essas dimensões, isso não quer dizer indiferenciação entre uns e outros. Tendo como referência a noção de gestão diferencial dos ilegalismos (Foucault),  trata-se de interrogar o que acontece justamente nas dobras do legal-ilegal,  formal-informal: jogos de poder, relações de força, campos de disputa. Essa a questão que se pretende discutir: o modo como esse feixe de ilegalismos, novos, velhos ou redefinidos redefinem tramas urbanas, ordenamentos sociais e os jogos de poder.A hipótese com a qual estamos trabalhando é que, em torno desses ilegalismos, estruturam-se campos de força e jogos de poder que deslocam, fazem e refazem a demarcação entre a lei e o extra-legal, entre a justiça e a força, entre acordos pactuados e a violência, também entre a ordem e seu avesso. No núcleo das economias e dinâmicas das nossas cidades, são campos força nos quais, talvez possamos arriscar, estão em disputa os sentidos de lei, de justiça, de ordem e seu avesso. É nessa chave que podemos entender, assim nos parece, as dinâmicas políticas implicadas nos mercados informais, também no mercado varejista de drogas ilícitas e suas capilaridades nas tramas urbanas.

 

6.  Projeto de Pesquisa: O abolicionismo como movimento social

Coordenador: Angela Alonso

Financiador: Fapesp (auxílio à pesquisa)

Vigência: 2012-2014

Número de alunos de graduação envolvidos: 2

Numero de alunos de pós-graduação envolvidos: 1

Resumo:  o projeto investiga a abolição da escravidão no Brasil do ângulo da sociologia política, argumentando que se trata do primeiro movimento social brasileiro. Trata-se de pesquisa  que analisa o fenômeno de dois ângulos. De uma parte, argumenta que o fenômeno tomou a forma de uma rede social, que articulava atividades no parlamento, mobilizações da sociedade civil em escala nacional e as mobilizações locais. De outra, investiga o modo pelo qual se processou a transferência de idéias e estratégias de ação do repertório abolicionista internacional para o movimento abolicionista brasileiro, e como a tradição nacional condicionou esse processo.

 

7. Projeto de Pesquisa: Da distinção na ciência: um estudo da Academia Brasileira de Ciências

Coordenação: Ana Paula Hey

Financiador: Fapesp (auxílio à pesquisa)

Vigência: 05/2012 a 04/2014

Numero de alunos de graduação envolvidos: 2

Resumo: O projeto visa analisar o percurso acadêmico-profissional dos cientistas agrupados em torno da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Tal associação, criada em 1916, no Rio de Janeiro, caracteriza-se como uma instância de consagração de cientistas de diferentes campos de conhecimento: Ciências Matemáticas, Físicas, Químicas, da Terra, Biológicas, Biomédicas, da Saúde, Agrárias, da Engenharia e Sociais. Pretende demonstrar como a ABC pode refletir os embates da ciência em relação a outros espaços sociais e, ao mesmo tempo, os conflitos típicos das ciências entre si, ou seja, os enjeux contemporâneos em torno da hierarquização e consagração de diferentes campos disciplinares. Enfatiza o levantamento de dados empíricos acerca do capital científico e simbólico de aproximadamente 700 acadêmicos atuantes, utilizando-se da análise de correspondências múltiplas para o tratamento estatístico dos indicadores. O objetivo é esquadrinhar o sentido desta associação e seu papel no campo científico brasileiro a partir do entendimento da trajetória de formação acadêmica e profissional de seus membros. Visa perscrutar em que medida os cientistas que compõem a ABC podem servir de recurso analítico ao constructo de elites científicas e, com isso, contribuir para o entendimento do espaço social da ciência no país. 

 

8. Projeto de Pesquisa: Desenvolvimento, transformações na estrutura social e desigualdades no Brasil, 1960-2010. 

Coordenação: Alvaro Augusto Comin

Resumo: Esta pesquisa investiga a relação entre desenvolvimento econômico e desigualdades de renda. Para além do crescimento puro e simples do produto, desenvolvimento econômico é entendido aqui, fundamentalmente, como processo de transformação da estrutura produtiva e social. O crescimento da riqueza de um país (ou região) pode se apoiar em arranjos e combinações qualitativamente muito distintas das diversas formas de produção de riqueza (os chamados ramos e setores econômicos), que por sua vez interagem com padrões e processos de mudança sociais e políticos mais amplos, como o declínio das taxas de fecundidade e o aumento da expectativa de vida; o crescimento da participação feminina no mercado de trabalho; a expansão do sistema educacional; as variações nas ondas migratórias; entre muitos outros fatores.

Desta perspectiva (genericamente afiliada à tradição estruturalista) é nas variações qualitativas entre os distintos arranjos produtivos que se deve buscar uma relação ‘teórica’ com o perfil e a evolução da desigualdade de renda entre os indivíduos e não nos ciclos econômicos. Embora estes também sejam parte da equação que limita ou favorece alterações no perfil da distribuição da renda, a história brasileira, no intervalo de tempo coberto por este livro, revela que a relação entre crescimento econômico e desigualdade de renda pode variar de sinal significativamente. As décadas de 1960 e 1970 foram marcadas por acelerado crescimento do produto per capita, acompanhado por aumento intenso e continuo da desigualdade, medida pelo Índice de Gini. As décadas de 1980 e 1990 se caracterizam por crescimento baixo e instável do produto per capita e estabilidade da desigualdade. Finalmente, na década de 2000, o produto per capita volta a crescer, porém a taxas muito mais modestas do que no passado (e mesmo assim instáveis), ao passo em que a desigualdade recua suave e continuamente. Para efeitos empíricos, tendo em conta que a análise se fará com base em dados dos Censos Populacionais, o processo de desenvolvimento será observado a partir dos deslocamentos da força de trabalho entre setores econômicos (agro-pecuária, indústrias e serviços) e tipos de ocupação (manual, não-manual, profissionais). Para cada ponto no tempo disponível, será calculada a distribuição da força de trabalho entre os setores e grupos ocupacionais (observadas as limitações impostas pelas mudanças nos sistemas de coleta e classificação das informações) e as variações entre os sucessivos pontos no tempo funcionarão como proxy das transformações na estrutura produtiva.Da mesma forma, os diferencias de renda intra e inter setores econômicos e grupos ocupacionais servirão de medida de desigualdade. Os padrões de alocação da força de trabalho, assim observados, e que grosseiramente correspondem à estrutura da ‘demanda’ do sistema produtivo, serão então confrontados sistematicamente com características dos indivíduos e com outras dimensões de mudança social, que por sua vez revelam as transformações na estrutura da ‘oferta’, notadamente:  transição rural-urbano e as ondas migratórias; expansão da escolarização; crescimento da participação feminina na força de trabalho.

 

9. Projeto de Pesquisa: Conflitos Sociais, Trabalho e Política. O Brasil e a França Na Mundialização Neoliberal

Coordenação: Ruy Braga

Financiamento: Programme CAPES-COFECUB

Vigência: 2012-2016

Número de alunos de pós-graduação envolvidos: 5

Número de alunos de graduação envolvidos: 5

Resumo:  A mundialização econômica e as dinâmicas sociais, políticas e culturais que a acompanham aumentam o interesse na cooperação científica Norte-Sul, notadamente em termos de enfoque comparativo. As equipes brasileira e francesa que apresentam este projeto de cooperação, pesquisa e formação pretendem desenvolver um trabalho comum nas áreas que são de interesse de ambas as partes e sobre as quais ambas as equipes já publicaram muitos trabalhos: modos de inserção de cada espaço societal nacional na mundialização econômica; precarização e informalização do trabalho; renovação da configuração das relações de classe e dos movimentos sociais; os desafios colocados por essas transformações e os movimentos sociais que surgiram nos setores tradicionalmente menos organizados do salariado. O programa de cooperação cobre uma série de temas para os quais os interesses e as competências estão presentes nas duas e quipes que estão propondo esta pareceria. A abordagem das classes sociais e de sua configuração nacional estará atenta tanto à dimensão sócio-econômica e morfológica dos grandes grupos sociais, quanto às dimensões política e sindical da manifestação desses grupos. Nós aprofundaremos, particularmente, a análise das relações entre três temas: conflitos sociais, trabalho e política.

 

10. Projeto de Pesquisa: Mercado, Sociabilidade E Politicas: os Caminhos para Acesso às Oportunidades de Trabalho

Coordenação: Nadya de Araújo Guimarães

Financiamento: CNPq/Bolsa Pq, CNPq/INCT e FAPESP/INCT

Vigência: 2012 a 2017

Número de alunos de pós-graduação envolvidos: 6

Resumo:O projeto tem por objetivo geral explorar os elos entre formas de acesso a oportunidades de trabalho,na realidade brasileira atual, e reprodução (ou superação) de desigualdades sociais. Para tanto, tem três objetivos específicos. Primeiro: entender a maneira como dois mecanismos não mercantis – redes (tecidas nos espaços de sociabilidade privada) e políticas públicas (que se constituem em respostas do Estado a ações de coletivos organizados) – podem afetar o acesso dos indivíduos a oportunidades ocupacionais, alterando chances antes explicadas pelo valor de mercado dos seus atributos individuais. Segundo: procurar demonstrar que o acesso a oportunidades de emprego não pode ser analiticamente equacionado pelo simples mapeamento da estrutura de lugares ocupacionais; sem duvidar da relevância de fazê‐lo, pretende‐se entender ademais como chances ocupacionais são figuradas como possíveis, são tornadas prováveis, vale dizer são acionadas pelos indivíduos, e são efetivamente construídas em suas trajetórias ocupacionais. Disso resulta a importância de associar procedimentos de análise qualitativa às ferramentas quantitativas que habitualmente se utiliza nos estudos sobre mercado de trabalho. Terceiro: explorar como variam os resultados alcançados no que concerne à qualidade do posto de trabalho a que se chega a depender da forma pela qual se tem acesso às oportunidades ocupacionais (sem perder de vista que essas formas de procura e obtenção de trabalho também variam segundo os contextos sociais em que se inserem os mercados locais de trabalho); isso ressalta, por outro lado, a importância de análises comparativas. Para alcançar esses objetivos dois cenários empíricos serão tratados. No Cenário 1, pretende-se observar como se ingressa no mercado de trabalho, investigando o papel das instituições mercantis e mediadores das novas relações de emprego; para tanto serão mobilizados dados longitudinais da Rais Migra Painel e Rais Migra Vínculos para melhor entender a mobilidade desses indivíduos no mercado formal, brasileiro em geral e paulista em especial, tanto quanto informações oriundas de pesquisa direta, por survey, com demandantes de emprego em agencias; do ponto de vista dos intermediadores, pretende--‐se avançar na analise comparativa internacional com base no banco de dados da ICPEA. No Cenário 2 pretende--‐se observar como circulam no mercado de trabalho os indivíduos de maior qualificação, graduados universitários; para tal pretende--‐se aliar dois tipos de dados: informações secundárias (provenientes do novo Censo Demográfico 2010 e da Rais--‐Migra--‐Vinculos), com a construção de um painel longitudinal para acompanhamento dos egressos beneficiados por políticas de ação afirmativa em duas universidades publicas de prestigio

 

11. Projeto: “Raça” e classe em contextos metropolitanos

Coordenação: Márcia Lima

Financiamento: INCT-CNPq/Fundação Ford

Número de alunos de pós-graduação envolvidos: 4

Número de alunos de graduação envolvidos: 2

Resumo:  Este projeto tem como objetivo elucidar as potencialidades analíticas da variável “raça” nas análises dos fenômenos de produção e reprodução da pobreza e da desigualdade. Ele faz parte de uma agenda mais ampla de pesquisa que visa investigar os efeitos das mudanças na estrutura econômica e das políticas de combate às desigualdades na configuração das desigualdades raciais no Brasil, com particular interesse nos efeitos dessas transformações no mercado de trabalho. Toma-se a primeira década deste século como escopo temporal uma vez que, nesses dez anos, a sociedade brasileira presenciou mudanças significativas no campo das desigualdades em geral e das desigualdades raciais em particular. Além disso, o país passou por fortes transformações econômicas como aumento da formalização dos empregos, crescimento real do salário mínimo. No caso do enfrentamento das desigualdades raciais, a implantação de políticas de ações afirmativas e o intenso debate acerca da sua pertinência no enfretamento das desigualdades de oportunidades no Brasil propiciaram o revigoramento do debate sobre raça e classe – mais especificamente no efeito do atributo “raça” na configuração das desigualdades sociais – nas Ciências Sociais e pela primeira vez entrou com grande espaço no debate público.

Pretende-se, então, enfrentar essa questão considerada crucial nos estudos sobre desigualdades raciais, as fronteiras entre “raça” e classe. Nesse sentido, as desigualdades raciais serão analisadas a partir de situações empíricas nas quais seja possível considerá-las como contextos similares de classe (como renda, educação, espaço). As situações seriam: Contextos marcados pelo alto grau de pobreza e segregação espacial - O objetivo deste estudo será observar a pertinência analítica da variável “raça” em situações de elevada pobreza. Neste caso, a análise estará baseada na comparação entre os resultados de dados de dois surveys realizados pelas equipes do CEM-CEBRAP, no ano de 2006, um deles na “Cidade Tiradentes”, bairro da cidade de São Paulo, e outro no “Bairro da Paz”, na cidade de Salvador. Os bancos de dados já coligidos disponibilizam informações ricas e adequadas ao objeto do presente trabalho, tendo investigado aspectos relacionados à situação ocupacional e a oportunidades de trabalho, que foram cuidadosamente investigados, bem como o foram as características pessoais do entrevistado, suas formas de sociabilidade e os mecanismos de acesso e a intensidade de com que recorrem a serviços e benefícios públicos.  Análise da inserção dos ocupados com nível superior no mercado de trabalho metropolitano - Neste caso, a análise se concentrará num contexto distinto ao anterior, uma vez que será observada a forma como a “raça” altera as chances de indivíduos que partilham aquele que é considerado principal atributo para a superação da desigualdade, o diploma de ensino superior. Neste caso, o estudo fará uma análise desse processo de inserção no mercado de trabalho ao longo desta década, procurando identificar os efeitos das mudanças estruturais no mercado de trabalho e das características da oferta de mão de obra sobre as desigualdades raciais. Essa parte da pesquisa terá um desdobramento mais amplo, com o apoio da Fundação Ford, para uma análise mais específica sobre as recentes transformações da oferta de mão-de-obra propiciadas pelas políticas públicas de inclusão no ensino de 3o grau, no caso o Prouni. O desenho operacional consiste basicamente na análise dos dados agregados, sendo que parte deles já foi produzida em projetos realizados pelo Centro de Estudos da Metrópole. Combina a análise de dados de um survey em regiões fortemente marcadas por situações de pobreza no ano de 2006, Cidade Tiradentes, em São Paulo, e Bairro da Paz, em Salvador, com a análise de dados das principais bases de dados ocupacionais (Pesquisa de Emprego e Desemprego - SEADE, Pesquisa Mensal de Emprego) e dados demográficos (Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar - IBGE e Censo demográfico - IBGE). O marco de referência temporal destas análises será a década de 2000.

 

12. Projeto de Pesquisa: Suplantando desigualdades: ação afirmativa, engajamento no mercado de trabalho e mobilidade social no Brasil

Coordenação: Antonio Sergio Guimaraes

Financiamento: CNPq / Fapesp

Vigência: 2008-atual

Número de alunos de pós-graduação envolvidos: 3

Resumo: A flourishing set of compensatory initiatives has been in the center of Brazilian public initiatives and academic debates from 2000 onwards as alternatives to confront poverty and/or durable race inequalities. We will engage on this discussion bringing fresh data on the effectiveness of these policies. The project will follow the effects of recent affirmative public actions adopted by some prestigious universities and aimed to enhance poor and Black people s occupational chances, boosting their social mobility. International cooperation and systematic dialogue with colleagues from US, UK, France and South Africa will allow comparing findings for Brazil with tendencies observed in other countries..

 

 

13. Projeto de Pesquisa: A sociedade da rua em São Paulo: a cidade fora dos muros

Coordenação: Fraya Frehse

Vigência: 2011 – 2014

Número de alunos de graduação envolvidos: 5

Resumo: Visa-se a contribuir para o debate sociológico sobre as características da urbanização contemporânea que ressaltam da realidade socioespacial em São Paulo identificando as regras de interação social pela mediação das quais se (re)inventa ali dia a dia a sociedade da rua. É uma teia de processos sociais que se (re)fazem de modo fugaz e improvisado nas vias e praças públicas em meio ao vigor da circulação de veículos e transeuntes, e cujos protagonistas se distinguem por nas ruas permanecerem com regularidade. Inquirir especificamente os padrões de uso de ruas e praças do centro histórico paulistano por esses não-transeuntes revela uma cidade ainda pouco explorada pela sociologia. Uma cidade fora dos muros das instituições e de possíveis certezas conceituais. Mas também uma cidade onde – a título de hipótese - a convivência social é mediada por regras estamentais de outro tempo histórico, e ativas na rua paulistana do presente, no bojo das desigualdades sociais crescentes do capitalismo contemporâneo.